quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Ovar

15 de Abril de 2017


á ia lampeira, a formosa varina,
Vareira de alma e coração,
No cabaz...o peixe, seu ganha pão!

Saia abaixo do joelho, com bordado...
Seu olhar irradiava luz como que enamorado!

Triste, feliz sina, a desta mulher...
Trajava no corpo e alma, a sua cidade...
Como quem sabe sempre o que quer!

Sabia sempre o que queria, esta varina feliz
Era pura poesia quando deambulava pela cidade,
Como se seus lábios fossem versos...
Que iriam beijar o Romântico Júlio Dinis!

De famílias humildes, de gente do mar...
O seu corpo, a sua alma, bordava Ovar!

Pelas ruas antigas, velhos monumentos...
Seus olhos fotografavam a cidade.
Captando a beleza em pequenos momentos!

Casas, monumentos, da mais fina beleza
Rendilhados com a arte dos azulejos...
Pintados, talhados em forma de desejos!

Um cheirinho bom, entrava do nariz para o coração
Não era o cheiro do peixe que trazia, não...
Nem das boas iguarias e das boas caldeiradas...
Era do pão-de-ló -doçura das almas atormentadas!

Sempre alegre,radiosa, esta vareira sem igual...
Ela cantava, dançava, sorria para a vida...
Carregava no seu corpo de cidade, o Carnaval!

Esta varina é de Ovar, vareira de coração...
Traz em sua alma virtuosa a cidade...
Ela traja a beleza rendilhada, bordada
Em finos fios de beleza e de saudade!

As sombras negras da Árvore da Vida

Tu, ser humano, abjecto, torpe...
Tu és como uma árvore gigante...
Que semeia a semente da morte!
Nessa tua raiz sem qualquer substrato...
Não absorves água, mas veneno mortal,
Escondes-te debaixo da terra, como um rato!
Destróis qualquer vida, vegetal ou animal!
Os teus braços, são como grandes galhos,
A árvore tem folhas, tu mãos que ferem o coração...
Em ti, não há flores, só paus da destruição!
Os frutos da tua árvore, são de grande azedume...
Dás cabo de tudo o que existe no Mundo Natural...
Escutamos todos a Mãe Terra em queixume...
Lentamente cavamos o nosso cemitério terreal!
Ó Humanidade sem coração, não destruas, não!
A natureza, que como mãe te acalenta em seu seio...
O ambiente deve ser um todo e não um meio!
Às árvores, concerne, esta poesia, também,
Árvores da vida, símbolos sagrados da Criação;
Troncos na Terra e raízes submersas no Além,
Fecundidade, imortalidade, Paraíso do Coração!
Planta árvores, não as queiras todas destruir,
Não cortes o tronco que leva o sangue da vida...
É a ti mesmo que matas, até o teu coração sucumbir!
Elas trazem o oxigénio, esse ar que nos é vital,
Todo o ser vivo precisa dele para neste mundo viver...
Respiramos já o ar da maldade da poluição mortal!
A árvore precisa de cuidados, muita atenção
É como uma criança que precisa de amor,
Ela carrega em si as flores de toda a Vida,
Que só florescem quando dá frutos o Coração!
Por isso, o Livro da Tua Vida, escreve, ser humano...
Tudo o que Deus criou tem vida mesmo sem viver..
Acorda da letargia - ainda estás a tempo de escolher!

12 de Março de 2017

A Valsa Lenta do Planeta


Morres, Terra,dentro de nós e de mim;
Morres, tu, planeta azul sem fim...
A cada dia, morres, mais um bocadinho...
O Homem, embebeda-te, como se fosses vinho!

Tu, Terra, planeta da Humanidade vil,
És casa, para uns; para outros covil...
Terra, da nobre e bela Natureza...
Que esconde na poluição, a sua beleza!

Ó Homem, sem rumo certo...Homem infeliz...
Não destruas a tua casa, mestre aprendiz...
Que futuro terão as vindouras gerações?!
Um futuro poluído, feridas nos Corações?!
Na negritude latente respirarão os pulmões!

21 de Fevereiro de 2017
Estás doente, bem doente, precisas de cura...
Mas a Humanidade, só te fere e tortura...
Ó, que Humanidade que não te escuta...atroz...
Tu choras, clamas, mas silenciamos a tua voz!

Deveríamos saber preservar-te, Terra Amada...
Como se fosses para nós, eterna namorada!
Preservar animais, plantas...toda a Natureza...
Se tu morreres, nós também morremos com certeza!

Cada vez, que, tu, Homem, maltratas um animal;
Uma árvore, uma planta, cada ser sem igual...
É, a ti mesmo que feres, bruta e inconsequente fera...
Não queiras, fazer parte do oh, quem me dera!
Transformaste a beleza da Terra em mera quimera!

Nesta valsa lenta, de morte antecipada,
Neste planeta, palco da nossa evolução marcada...
Só, tu, Homem, podes conduzir esta dança...
E, impedir, a chacina, esta malfadada matança!

Não, vês, criatura, que habita neste planeta...
Que tens de mudar de rumo desta ampulheta...
Que corre, mais depressa que um furacão...
O tempo não pára, o compasso da destruição!

Pensa bem, antes, de as artérias da Terra, ferir...
Não as deves fazer sangrar constantemente...
Deves preparar o futuro, aquilo que está para vir...
Quando destruíres tudo, morres, de eutanásia premente!

O regresso do Cão Vicente :) O Cão Vicente -No corso cãornavalesco

De regresso, temos novamente, neste corso da vida: o nosso amigo cãospirador, cãotorcionista descãocertante, estonteante, cãornavalesco, pidesco, o famoso, o intrépido, o cãoquistador que só cãoquista asneiras, o Cão Vicente. Todos sabemos que ele é um ignóbil cãonídeo com sorriso daquela marca que lava o dente!
Decidiu voltar no Cãornaval, pois acha que ninguém o vai levar a mal! E, claro, sempre dá para dar umas apalpadelas, mascarado, às belas cãodelas!
Mas, afinal, porque esteve tão ausente, este incãoveniente cãotribuinte que afunda qualquer regime fiscal?
Ora, esteve num retiro espiritual: para se tratar com a oracão: rezou desde o Cão-Nosso, até ao Acto de Cãotrição.
Já todos sabemos o quão pecador é este cão - são tantos os pecados, que até dão a volta ao Universo e à mioleira. É como as cãoções da Maria Leal, são um pecado para a audicão, pois ela parece uma cãorpideira!
Mas, vamos lá ao que interessa, que é o regresso deste cão, que regressou para o Cãornaval, para se mascarar de engatatão...Engatatão?! Não,não, que ele é um cão e bem ciente da sua cãorilidade, nada de misturar as águas, que ele vai mascarado de excelentíssima majestade! Ou cãode ou majestade; porém, ele só se cãotenta com o título de rei!
Cuidado, que vai querer gamar o lugar ao rei de Ovar, para ver se fica com a peixeirinha, para ver se ela lhe faz o jantar!
E, lá foi o Cão Vicente, tentar infiltrar-se na cãomara municipal, para fazer a cãobeça ao presidente. Até pôs um bigode para ficar parecido com o rei quer foi escolhido democrãoticamente!
Efectivamente, que lá não foram em cãotigas - era o que mais faltava um aldrabão e a ainda por cima a tentar despir mais as raparigas!
Todos sabemos que este cãonídeo é bastante teimoso e, mesmo assim, tentou estragar o Cãornaval, este manhoso!
Este cão que não é nada cãociso, quer sempre ser o centro das atenções;todavia, tem grande falta de juízo!
Ele, bem tentou empurrar o rei do seu carro para ficar com a rainha, mas o que cãoseguiu foi uma cãoídela e uma dor na espinha!
Já viram isto? Este grande chouriço? Mas, com um rei e uma rainha daquelas ele levou com um cãoçarola de cãomarões no toutiço!
Cãotado, do seu traje de rei, ficou todo esfarrapado - todos foram atrás dele para lhe arrancar o pelo e ele a pensar que iria ser cãodecorado. Oh, cãotadito, cãodecorado, ele era mais um cão decorado a vergastadas. Até a Maria Leal iria dizer: «estou aqui só para ti», mas para te dar umas palmadas!
Que pesadelo terrível, não era rei, o Cãornaval foi um fiasco: ainda tinha essa cãorpideira a chatear e atirou-se, no Furadouro, de um penhasco!



18 de Fevereiro de 2017

Uma peça de teatro, é a vida


Uma peça de teatro, é a vida humana
Já o dizia alguém sábio, outrora...
Não permite mesmo qualquer ensaio...
O tempo é o relógio que marca a hora!

Nesta peça de teatro, de um acto só.
Entre cenas, contra-regras e bastidores
Só se repete uma vez o espectáculo...
E os Homens são actores e espectadores!

Neste palco diário, que é o nosso fado...
Nas contracenas por detrás desta cortina humana...
Espreitamos os nossos defeitos e virtudes
Esperando encontrar uma Humanidade ufana!

Sofremos este teatro em que vivemos diariamente
Ora,com felicidade, amor, ora com aspereza...
Neste teatro pleno de cenas,que a alma sente!
Actuando na condição humana, palco da nossa natureza.

É assim este espectáculo sem ensaio geral,
Aliás, sem qualquer ensaio, actuamos, deveras...
Devemos ser da nossa vida, o actor principal,
Ora sem palmas, ora com saudações sinceras!

E, nesta lufa-lufa que é o nosso viver...
Nós somos a peça, somos a cena, somos o acto...
Somos o actor, actriz em corpo de homem ou mulher...
Perguntando, afinal, quem somos nós de facto?!

  

1 de Fevereiro de 2017


Minh´alma



26 de Janeiro de 2017

Neste mundo que parece estar perto
Ao mesmo tempo tão distante...
Minh´alma às vezes, sangra, decerto....
Tão ferida, vagueia como um necromante!
É como se não me sentisse desta morada,
Ó! Que mundo carregado de tanto materialismo;
De pessoas absortas - cegas de espiritualismo.
Entendo, porém, quase sem nada entender...
Que este mundo é como lava a correr...
Neste vulcão que é a Humanidade em erupção!
Que teima em não querer uma erupção do Coração.
Se, muitos, os olhos da alma, conseguissem abrir,
Enxugariam as lágrimas com o lenço do amor...
Até enxaguar a dor e fazer as lágrimas sorrir!
Mas não vivemos ainda num mundo perfeito...
Porventura, mesmo assim cada um de nós é um eleito...
Que deve tentar fazer mais, melhor e com fervor...
Pois, deve aceitar dentro de si, essa missão superior.


Claro, que nem sempre, minh´alma é necromante...
Muitas vezes sente-se triste neste mundo distante...
Mas sabe que ainda tem uma missão lá bem adiante.
Minh´alma é quase como as fases da Lua,
Por vezes, é um longo quarto minguante...
Que parece mirrar e mirrar a cada instante.
Outras vezes, é, sem dúvida, um quarto crescente...
Que cresce, cresce e cresce e se renova...
Esperando muito calmamente a Lua Nova!
Finalmente, minh´alma também é redondinha
Como a Lua Cheia de uma noite estrelada
Que mata as minhas crateras até vir a alvorada.
Por vezes, vejo a alma como eclipse lunar..
Eclipso-me deste mundo, com a alma a divagar...
Das crateras de mim mesma, vejo meu espírito voar...
Ele voa lá para bem longe, para o mundo do sonhar!
E é assim, minh´alma, triste, outras vezes, feliz...
Neste mundo, ando constantemente a aprender...
Deus é o professor divino e eu a aprendiz!

Já Bernardo Soares escrevia,

Já Bernardo Soares escrevia,
E, desassossegado, sentia...
Que pegava no coração
E o colocava na sua mão.

Ó que triste e impávida ironia,
Ele, que em grãos de areia se dividia!
Num deserto de dor, perdido...
Vivo, mas como se tivesse morrido!

Como a folha que da árvore caía,
Aquele coração de outonal nostalgia
Vermelho, castanho, amarelado...
Que é a árvore despida do meu fado!

Neste mundo de desconcertação...
No qual, quem mais sofre é o coração...
Já outro enorme poeta sabiamente cantava...
A dor e a impiedade que no mundo grassava.

Ainda hoje vemos que é assim...
Nesta desfaçatez desumana sem fim...
Seres humanos a os outros pisar,
Sem pensar que a justiça irá chegar!

Mesmo que tarde bem e bastante,
Essa justiça que parece injusta e errante...
Que transforme a imensa dor lacinante
E os grãos de areia em brilhante diamante!

Para que esse diamante, mesmo por lapidar
Seja como um coração de vida a palpitar...
Porque sendo verdadeiro e bondoso,
Emana de si mesmo o brilho mais valioso!

Tantas vezes em desassossego constante
Vagueia o meu coração como um emigrante
Que procura no país da justiça celeste,
Melhores condições que nesta esfera terrestre.

Tal como Bernardo Soares uma vez mais,
Com a alma só comovida e em ais
Sonho... mas ainda com muito de vida,
Mesmo em dias de tristeza indefinida!


24 de Janeiro de 2017