quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Florbela

Florbela Espanca, da alma bela,
Mulher do amor, emancipada.
Poetisa, prosadora, tradutora,
De Portugal, para sempre namorada.
Alentejana, de nascença, ó sorte!
Mulher do mundo, de todo o país,
Rosa púrpura dos espinhos de morte,
Rainha coroada, também em Esmoriz!
Florbela, mulher, do amor sofrente,
Alma incompreendida, jamais esquecida...
Flor da morte precoce, cedo jazida!
E é desse amor que ama perdidamente,
Que todos os teus sonetos quiseram exaltar.
Serás sangue, suor, vida, de todos os que te irão recordar!

15 de Outubro de 2017

A República do rei morto

Instaurou-se a República no século passado
No ano de 1910, num país molestado.
Matou-se a monarquia para a fazer nascer.
Rei morto, não mais posto,o destino foi morrer!
Mesmo que possa ser melhor do que a Monarquia,
Matar alguém de ideologias diferentes, foi cobardia.
Escolhemos representantes em mais de 100 anos volvidos...
Entre recuos e avanços, ainda continuamos esquecidos!
Uma ditadura, acabou com a República e causou danos.
Regressou no 25 de Abril de 74 e ainda hoje faz anos.
Faz anos e, por isso, hoje, nós a podemos parabenizar,
Mas foi a 5 de Outubro de 1910, que começou a andar!
Entretanto, em tempos mais idos da nossa História,
De outro 5 de Outubro a história republicana, olvida;
Tratado de Zamora que não lhe vem à memória,
Independência do Reino de Leão, uma conquista sofrida!
Numa República e nela apenas, vivemos nós
E mesmo que possa até um regime político mais justo.
Teria sido mesmo preciso matar, haver um algoz?
Matando assim a Monarquia de outros egrégios avós!

5 de Outubro de 2017

Piam passarinhos no meu pensamento

Piam passarinhos no meu pensamento,
Voam com as asas da minha alma,
Trinam os acordes que afastam o sofrimento!
Aves, que o Homem inveja constantemente
Porque não sabem que, têm asas, afinal
Não voam como os pássaros, certamente,
Mas voam com as asas do amor latente!
Os passarinhos trazem nas penas, a beleza,
Nos seus cantos, a voz doce da Natureza.
Ao escutá-los,meu espírito, canta, com certeza!
A minha alma quer ser livre como ave sem gaiola.
Mas, como em todos nós, por vezes, vive aprisionada,
Sem forças para sair da prisão da vida malograda!
Porém, quando deixo o meu espírito voar livremente,
Atinjo o nirvana do meu ser, o pináculo da plenitude.
Chego ao Céu rapidamente - algo que nunca pude!
A nossa última morada, será além do firmamento,
Quando lá voltar àquela viagem, de todos, inicial;
Serei mais livre do que qualquer ave e não lamento...
Pois levarei deste mundo, as asas feridas do sofrimento.

1 de Outubro de 2017

A Ilha dos Poetas Desconhecidos

Lá longe, numa ilha bem remota,
Viviam todos os poetas desconhecidos.
Muitos queriam chegar à ilha devota,
Moradia dos consagrados e antigos!
Por entre os verdes campos, espreitava Camões
Lá, naquela ilha dos Amores e dos Corações
Parecia procurar na Ilha Vizinha Desconhecida,
As suas musas, e a sua Dinamene querida!
Na Ilha dos poetas sem poesia consagrada,
De poetas que se queriam dar a conhecer
Muitos tentavam fazer da ilha Vizinha, morada,
Mas acabavam por tombar, por falecer!
Pessoa acenava-lhes com a Mensagem,
E com as suas personalidades singulares,
Mas ainda estavam postos à margem...
Os poetas e as suas poesias peculiares!
Nem que cantassem bem alto o Amor,
Nem que amassem perdidamente,
Como fez do sangue, da vida, Florbela,
E Garrett com o pescador da Barca Bela!
Para os leitores que moravam na Ilha da Literatura,
A Poesia, era ainda a parente pobre, sem bravura.
Pois, achavam que era mais importante a prosa,
Mas a Poesia é o jardim, é a Mágica Rosa!
Nesta Ilha, a Poesia nunca deixou de se ler
Só que passa despercebida, menos apreciada,
Ela é a mais bela arte literária sublimada,
Do Poeta que escreve com a alma a sofrer!
Mesmo assim se ergue do alto do Coração,
Tentando viver em Paz com todas as Ilhas,
Porque o mar da saudade rodeia o seu Coração!
É assim o poeta, que faz da poesia, a sua canção!
Pintura de Jorge Marques -o Regresso à Ilha dos Poetas

10 de Setembro de 2017

O Regresso do Cão Vicente - Na Cãorrida Política

Deste ser que late, já não há muito a dizer: mete-se em tudo -
não sabe fazer nada! Que fonte de dislate, é este ser!
Meteu-se de novo naquela cãobeça com cérebro que mais parece ter excremento, cocó, fezes, bosta, titica, dejecto,excreção, esterco, estrume sujeira, imundície, porcaria, sujidade, lixo, lixeira, chiqueiro, esterqueira, que ser cãodidato é à maneira! 
Ó, que Joanne cãonino este, mas, de um reles versão das samicas de caganeira! Nem a Brízida Vaz lhe passaria à frente nem em língua cãoprida, nem em asneira!
Antes de se lançar na cãopanha, fez uma cãopilacão das ideias políticas, ou cão Pilacão, ou cão depilacão, sei lá: o que sei, é que ele está cada vez mais gagá!
No seu cãoputador e cãopenetrado no seu escritório em casota de paletes velhas de madeira e a cheirar ao seu chichi, lá cãopôs ele, o seu plano eleitoral, uma autêntica cãoganeira e tititi!
Queria fazer uma cãoligação; mas, só se fosse o Cãocrodilo, a juntar-se a semelhante cãogeminação!
Criou uns cãortazes dignos de aparecer nos tesourinhos das autárquicas; chiça, porra lá, para estas ideias tão antidemocráticas!
O que fazia mais cãofusão no seu plano autárquico e eleitoral, era a isencão de taxa de IMI, para a sua casa, dos seus cãopadres e de toda a zona fina- ideia suprema da ex-mulher CãocerTina! ,
Interesses, senhores, interesses! Já todos estamos cãorecas de saber que eles se davam muito mal, nem se podiam ver e tantas vezes, o caso era mesmo de hospital!
Mas nestas cãosas, muitas vezes, já se sabe! A cãoquista,é o que se sabe!
Nunca, se deveria aceitar um cãodidato deste cãolibre pessoal; não se vê que ele não tem tino, este grande animal!
Claro que é assim, mas não deveria ser, aceitar cãodidatos cão registo cãominal. Cãodidatos chanfrados da pinha, ignorantes, burros, estultos, estúpidos, idiotas, imbecis, ineptos, néscios, palermas, parvos, patetas - cãotados dos eleitores que ainda vão nestas!


16 de Agosto de 2017


O Regresso do Cão Vicente -no Verão, na Praia Cãomunitária


Cãotado, mais uma vez deste cãopassível animal; acha-se de novo, a cereja no topo de um bolo de tamanho cãotinental!
Pior do que este cão, só mesmo do Descãocito; tem ritmo apenas e, assim anima o povito!
Também o nosso cãoquistador de incãocebível falta de juízo, queria ir para a praia, para cãoquistar uma cãodela daquelas sem guizo!
Mais uma vez, cão um mau gosto descãomunal - calcão à Zezé Cãomarinha, modelo estreito, apertava tanto que o material parecia cão trafeito! E, se cãolhar, era!
O que ele não entendia, é que também cheirava mal. Não era nada cãodenatório, pensava o cão. Só que o bafio era tanto, que era uma olfáctica cãodenação!
Andava pela praia, armado em D.Afonso Cãoriques, mas o seu cãognome, não era de cãoquistador, mas de mestre-mor dos trelemeliques!
Pensava ainda ele - ó pobre cérebro cheia de ocas cãovidades, que cãoquistava todas as musas de todas as aldeias e cidades.
Atrás dele, a tapar a sua traseira, havia um cartaz - era também cãodidato às autárquicas - ó que cãosa tão cãotumaz!
Além das falsas cãopetências como cão respeitoso que dizia ser, ainda levava atrelado um cartaz daquilo que ele não era, mas queria ser!
Prometia mundos e fundos, até cerveja sem pagar e total isencão no IMI para as amigas da área fina; mas nem elas votariam nele, nem com ameaça de morte por estricnina!
Nem musas, nem votos, ó que lamentacão! Ainda não aprendeu a estar quieto, este grande aldrabão!
Cãotudo, teremos mais notícias políticas e não só, deste cãonídeo cãogeminador - não tem credibilidade, mas anda sempre armado em eloquente senhor. Não cãofessa o que é, mas toda a gente sabe que votar nele será um banzé!
Mas vamos ter de levar com ele; pois, só a 1 de Outubro, são as eleições. Vamos ter o nosso cãopatriota em cãopanha eleitoral em tom de reles dramaturgo; mas, afinal, não é só ele um cãodidato. E candidatos, como é natural, é o que não falta em cada burgo!

11 de Agosto de 2017

O Senhor Politicamente Certo


26 de Junho de 2017

ra uma vez, o senhor Politicamente Certo,
Dizia tudo, sem dizer nada em concreto,
Dizia fazer tudo e muita, muita coisa mais,
Queria agradar ao grupo Alfa, com uivos banais!

O que não admitia, ele, já todos sabemos,
Nem sempre o Politicamente Certo tem razão.
Não podemos ver só o que nós queremos,
Ou o que a sociedade, nos impõe de antemão.

A nossa sociedade, a todos, deve, respeitar.
Mesmo diferentes da maioria, não há que enganar,
Todavia,quem dela faz parte, a ela se deve tentar adaptar.
Tem direitos, deveres, mas mais regalias, não deve levar!

As coisas são como são, não se pode inventar,
Só para agradar à maioria só porque parece bem.
Não devemos ser carneirinhos do mesmo rebanho.
Ser ovelha negra, pode não ser mau; apenas, estranho!

Quem não quer ser lobo, nunca a sua pele deve vestir,
Nem deve sempre dizer tudo o que está a sentir,
Mas, se a sua opinião, ao Politicamente Certo, é contrária 
Não deve temer que o condenem como reles alimária!

O político deve evitar ser sempre Politicamente Certo,
Mas o Zé Povinho, também tem de aprender, decerto.
Aliás, todos nós, sem excepção neste mundo incerto!