domingo, 3 de abril de 2016

A Pedra

http://www.materiaincognita.com.br/como-se-fabrica-um-colibri-em-broche-de-ouro-com-pedras-preciosas/ 



Pedra no sapato a magoar...
Pedrinha má, dor latente.
E vamos a manquejar,
Até essa maldita, retirar!

Pedra de arremessar
Pedra de guerrear,
Pedra da bruta peleja,
De cada lágrima que goteja!

Sopa de pedra, alimento
Que a vil fome mata...
Objecto que se junta...
A uma sopa tão farta!

Pedra do construtor,
Pedra de construir o sonhar...
Pedra bela, pedra da dor,
Castelo de venturar!

Pedra ainda em bruto,
Diamante por lapidar,
Pedra do homem astuto...
Pedra de encantar!


Pedra da rua... abandonada,
Pedra da natureza...
Pedra da origem do Mundo,
Da geológica giganteza!


Pedra, na mão da humanidade,
Pode ser o que ela desejar,
Desde a bruta pedra da monstruosidade
Até à pedra do eterno amar!

Pedra, que diferentes usos pode ter,
Está em ti, Homem, a preciosidade
E não na pedra em si, a sem idade...
Da pedra que tu mesmo deves ser!





http://www.mundogump.com.br/10-incriveis-pedras-preciosas-vermelhas


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quarta-feira, 30 de março de 2016

Cegonha, ave do bom augúrio

imagem Google



Lá no topo daquela chaminé triste e ancestral
Daquela  fábrica feia, tétrica e sem vida
Um casal de cegonhas, faz sua morada anual...
E não faz do Outono a sua breve despedida!


 Belas aves, que passeiam pelo meu quintal
O pai amoroso, à procura de alimento,
Qual rei intrépido dos céus de Portugal,
Procurando o conforto para fêmea e rebento.


Ó aves que bom augúrio trazeis,
Tu, cegonha, fiel amante,
Podes não trazer no bico, a criança...
Mas carregas nas asas, a esperança!

Trazes a esperança da Primavera...
A esperança de novo porvir,
De um Portugal a sorrir!


Ó cegonha, no Levítico és imunda...
Ó tristeza é do ser ignorante
És de pureza profunda...
Rainha do bom presságio...
E,dos céus, diamante!


Ó cegonhas, de um poema que nunca fiz,
Ó cegonhas da  Barrinha ditosa.
Ó aves cegonhas daquela chaminé em Esmoriz...
Aves de uma beleza fulgurosa!

Ó cegonhas do tempo de criança,
Ó cegonhas dos tempos de agora,
Trazei nas asas um bom destino,
Um destino que não demora!





segunda-feira, 28 de março de 2016

As gotas de chuva nas asas da Primavera

olhares.sapo.pt

Entraste, ó primavera ditosa,
Como uma bela mulher a sorrir,
Nos cabelos, galhos de árvore mimosa,
Num corpo perfumado de jardim a florir!


Teus braços, ramos com aves a pousar
Tuas mãos folhas verdes a crescer,
Um Sol redondo, de reluzente brilhar...
Hoje, estás envergonhada, estás a chover!

Hoje, Primavera querida, pareces chorar,
O teu coração de flor parece murchar
Caem lágrimas dos teus olhos, sem cessar...

Não pensem que chorar é mau, diz a Primavera...
 - A chuva, amigos, é limpeza, não é uma bruta fera...
As energias são limpas e um novo dia que nos espera!






Ode à Primavera

Pintura de Botticelli

Eis que renasce bem radiosa
A esplendorosa Primavera
Como uma árvore frondosa
Que faz do Inverno quimera.


Ó Primavera, sê bem-vinda,
Sê como as aves com o seu belo canto...
Enfeitas a cabeça com flores,coroa linda:
Tu, Rainha Majestosa do Encanto!


Tu, magnânima estação das flores
Do renascimento, do pólen dos amores,
Abelhinha que fecunda os corações,
Com o doce mel das emoções!


Deusa Ostara, Jair, Eostre,sem idade
Deusa do renascimento, deusa do amor,
Deusa do nascimento, da fertilidade,
Deusa rainha que vestes o manto do esplendor.


Primavera, que trazes um tempo mais quente,
És como a tela imaculada, virgem de um pintor....
Não és, nem serás quadro do esquecimento,
És, porém, tela pincelada com aguarelas de amor!

Ó Primavera, teatro, sinfonia, música, canção...
Rainha da natureza, fada com condão...
Nas asas da beleza e do sonho, trazes a alegria,
Orquestrada pela batuta do Criador, que nos guia!


Primavera das doces e miraculosas maravilhas
Leva o Inverno gelado do âmago do nosso ser:
Faz renascer em nós, as aves, flores, as alegrias
Que faças em nós a esperança a crescer!


Que cresça como as cores da natureza,
Que sejamos um rio, um mar de pujança,
Onde se renovem as águas da nossa pureza
E vibre dentro do coração esta ode de esperança!


Ó ditosa, belíssima Primavera,
Por tudo isto, te saúdo, enfim,
E que renasça a esperança sem fim!




quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O TANOEIRO


O TANOEIRO


Foto de  José Fangueiro


Tu, nobre tanoeiro do  tempo passado,
 Tu que és mestre desta arte ancestral,
Nos vasilhames, dorme o néctar por Deus dado,
Ó ilustre tanoeiro, também artista de Portugal!

Desde o tempo dos Fenícios, Romanos
E, claro, dos Cartagineses também,
Nesta arte que dura há muitos anos,
Um trabalho árduo -  agora de quase ninguém!


Tu, tanoeiro deste tempo presente,

Onde a tua profissão é quase ausente..
E já perdeu de outros tempos, o fulgor,
Porém, ainda trabalhas com suor e amor!
.


Foto de José Fangueiro, Tanoaria Josafer, Esmoriz, Portugal
As pipas, os barris...são a tua vida tão definida!
Tu ilustre homem que tens calos em cada mão,
Tu que és o artista de uma arte esculpida,
Pelo pesado malho e pelo pelo teu coração...



Ó tanoeiro do tempos que ainda virão,
Espero que a tua profissão não deixe de existir...
Mesmo que não sejas do pipas do vinho, artesão...
Que continues outros produtos modernos a produzir!


A vós todos presto a minha homenagem sentida,
Ó exímios tanoeiros, que estais por todo o país,
A homenagem, essa, deve fazer-se em vida,
Mas esta homenagem vai sobretudo para os de Esmoriz!




Dos nobres tanoeiros - descendente também sou
E nunca  a minha origem, irei renegar,
Por esse motivo também, aqui a rimar,  estou,
É a minha forma de igualmente vos eternizar!




Este poema foi escrito em quadras, porque as quadras são o tipo de verso mais relacionado com a poesia popular e os tanoeiros são ilustres artistas populares



sábado, 6 de fevereiro de 2016

As Novas Aventuras do Cão Vicente

 -O CÃORNAVAL

Imagem: http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/6526-desfile-de-carnaval-dos-animais-no-rio-de-janeiro?mobile

Imagem de: https://www.youtube.com/watch?v=43qvYL3Wii8


Cá se apresenta de novo neste período cãoturbado, o nosso amigo e cãonhecido Cão Vicente - o cãonídeo, o cãonito aldrabão, cãofuso e extremamente incãosequente.
Como estamos em época de Cãornaval, o nosso amigo patudo quis mascarar-se de uma criatura nada normal!
Ele decidiu ir a todos os Cãornavais do país, cãotasiou-se de cãokrenstein e foi cirandar por todo o país -até foi à Madeira este cãonijo infeliz.
Vestido de cãokrenstein estava mesmo horripilante, nojento e tinha fumado cãonabis, o cãozado - a ganza era boa cãolidade que ele andou a sambar a toda a velocidade!
Entretanto, não tinha tomado a banhoca. Estava pulguento e cãorracento e nem sequer deu banho à minhoca!
Acãoteceu um azar enorme e ele mais uma vez , meteu-se em cãofusão lá na Ilha das Bananas, cãometeu iliegalidades, mas não foi para a prisão - mandaram-no para o cãotinente cão  termo de identidade e residência, acãopanhado, porém de uma cãoleira último modelo para matar a pestilência!
E, lá regressou ele, cão uma pata à frente, outra atrás, sem o seu fato cãornavalesco...este cão era mesmo fresco!
Cá no cãotinente -cãotinente,  não é o hipermercado, ó CãocerTina - a ex cadela dele e profissional do sexo na dita área fina. Ela já estava a ficar literalmente com pulgas atrás da orelha,cão medo de cão ele se cruzar e depois até saltavam chispas no ar! E ela era burra, tão burra - que até parecia que o cérebro saía do sítio e ia voar!
Ele já não sabia mais do que se mascarar...tinha ficado sem fatiota...estava agora com ar de idiota, junto à porta do tribunal - tinham-lhe marcado uma audiência...para o cãodenar pela sua falta de prudência.
Imaginem que na Madeira quis fazer-se a uma linda cadela...mas teve azar, estava lá o namorado dela. Mas mesmo assim, insistente e incãosequente como ele é, agarrou a cadela à força e foi cá um banzé.
Depois da audiência feita com muita sapiência...lá foi ele por todo o pais sem excepcão, festejar o Cãornaval desta vez fantasiado de diabo - que até é mesmo o que ele é - um pobre diabo cãonino pestilento e a cheirar a chulé! 
Para estar mais perto de casa decidiu terminar em Ovar; todavia, não descãosou enquanto, não tivesse tomado do rei e da rainha, o lugar!
Foi sol de pouca dura esta pequena aventura -desde a cãomara, à polícia e também à organizacão - ele foi a sambar com um pontapé no rabo directamente para a prisão.
Ele não serve para rei nem para coisa alguma -ele só sabe armar cãofusão - é como um grande cãonal que cãoduz à asneira; porém, nem no Cãornaval ele se livra da justiça derradeira.
Pensava este desgraçado, cãonito  - rei da estupidez, que por ser esta época festiva tudo poderia fazer,«: - «ah e tal é Cãornaval e ninguém leva a mal!». Ah, pois, mas estava enganado... ele deve aprender que em sociedade não se pode fazer o que se quer e que a nossa liberdade termina quando cãomeça a do outro e assim tem que ser. ...E que a vida são dois dias e o Cãornaval três dias são, cãoquanto é preciso ter juízo para não andar sempre na vida em cãotramão, pois então, ó cão!








domingo, 17 de janeiro de 2016

Soneto à Criança

Um poema feito em Ovar


A correr, a criança, lá vai ela
Como rainha coroada pela infância,
Com uma alegria tão típica dela,
No rosto resplandescente da abundância!


A criança, lá vai - a caminho da escola,
Palco no qual novas matérias vai aprender
Nas costas leva o peso da sábia sacola,
Onde transporta também o Livro do Saber.


No recreio, campo de grandes emoções ,
Pátio também da maravilhosa traquinice,
Correrias, brincadeiras - tempo da meninice!


Tu, que trazes a malandrice no rosto desenhada,
E tu que carregas nos olhos - a alegria, ó criança
E em cada mão - transportas o condão da esperança!