quarta-feira, 23 de setembro de 2015

As Novas Aventuras do Cão Vicente - o Regresso às Aulas


Cá temos novamente e cão muitas cãotradições, cãoplicações, cãofusões, cãomichões e tantos outros «ões», o nosso amigo cão cãoplicómetro incorporado, cão GPS cãotrafeito  e avariado: o famoso, medroso, prepotente - o ser de quatro patas, cuja (des)graça é Cão Vicente!
Após o período de férias longas e de papo para o ar: era agora tempo de à escola voltar. Apesar deste cão já ter uma profícua idade cãonina; era tão burro,  mas tão burro, mais burro que a Cadela Micãolina!
Lá ia ele todo pimpão de mochila às costas a cãobalear pela rua,  encãoto comia umas amanteigadas tostas.
Cão  uma cãoculadora para fazer cãotas às escondidas; pois, de Matemática também nada entendia... Para ele nem Português, seja o que for; muito menos Geografia!
Em vez de puxar pela cãobeça (que diga-se de passagem que lá só tinha ar e um ciclónico vento), preferia usar a aldrabice com mestria e (des)cãotentamento e impregnado de brejeirice!
O Cão Vicente além de ladrar mal, era igualmente daltónico, disléxico e incãosequente; cãofundia do mesmo modo, a direita, da esquerda, ó que cãotraproducente! Nem com o relógio de pulso no lado esquerdo -ele sabia distinguir as direcções: nem com GPS instalado no meio... dos calções!
Não sabia as letras, nem os números, nem coisa alguma. A História era um zero à esquerda, sem sombra de dúvida nenhuma! Para ele D. Afonso Henriques não foi o primeiro rei de Portugal, foi um jogador de futebol tipo Ronaldo, daqueles sem igual, que jogava a cãotra-ataque com os mouros para os chutar para fora de Portugal, Foi um jogador a valer, corria com mouros e até pôs a mãe a cãorrer!
Ele fazia cãofusão: o Algarve ficava no Minho, o Minho no Algarve; o Alentejo na Beira Alta, a Beira Alta no Alentejo; a Madeira nos Açores, os Açores na Madeira e, assim por diante, cãofundia tudo de sobremaneira!
Ele só entendia de cãofissões mentirosas, de gastar dinheiro e de fraudulentos negócios, de tentar enganar cadelas bonitas e arranjar cãovencidos e trambiqueiros sócios!
No primeiro dia de aulas lá ia ele todo cãotente, cãonhecer  os colegas e as professoras naquele dia diferente.
Mal tirou os seus cadernos foi um descãolabro total - os cadernos encãopados com pornografia: ora vejam lá, que grande animal!
A professora titular pediu para ele ler o texto em latir alto; mas trocava tudo, descãonhecia as letras .não foi ajuda nenhuma para os colegas.
Quanto às cãotinhas só sabia somar -era a sua operação preferida -era para somar as parcelas de dinheiro que ele queria cãoseguir com aldrabices; mas, até nisso, ele fazia uma gincana de cãotabilidade com um ponto crítico bem, mas bem negativo!
De Geografia e História, já se sabe -nem adianta escrever mais. Ele era também um cábula de grande monta, respondia às professoras, desafiador e em tom de afronta!
Nada sabia, nada de bom acrescentava -era uma cãobeça oca e descãocertada!
Era mesmo um caso perdido -sem esperanças no futuro -bronco e cãocomitantemente ignorante -sem dúvida alguma, o pior estudante.
Bem pior do que o Menino Tonecas -esse, ao menos tinha piada; estes estava cãodenado a ser o mestre da salgalhada!
No seu primeiro dia de aulas, o Cão Vicente, tentou trapacear os colegas, como seria de esperar, até no recreio se divertia a pregar rasteiras -atitude cãodenável deste cãoflitante ser - ia de asneira em asneira até não mais poder.
Cãostantemente cãostigado e sem se importar com a empreitada do bem -este cão, este cão parecia um dia de nevoeiro cãodensado num dia que não lembra a ninguém.
Arreliava tudo e todos, cheio de taras e manias - foi expulso da escola -não durou nem 7 dias.
Depois de uma semana, um record fenomenal, decidiu pelas aulas online para não ser expulso de forma cãosensual.
Cão sem eira nem beira, cãosignado pela sua própria tola ao fracasso, na sua personalidade, também cãospirava o palhaço.
Não aproveitava o melhor da vida, as oportunidades para melhorar este cãojurado animal -queria ser besta sem saber o que era ser bestial!
E, foi assim, o regresso às aulas do famoso Cão Vicente -o estudante descãocentrado e irreverente!
Não pensem pais que vossos filhos são os piores  -vejam o exemplo deste cão que nunca teve dias melhores!



As Novas Aventuras do Cão Vicente - As férias e o seu regresso cãoturbado


Após um período longo de férias, cá entra em cãotracena neste palco da vida, tão (in)cãocreta e (in)definida o incãosolável Cão Vicente: o cãonídeo de raça duvidosa, trapaceira, matreira, incãosequente e intransigente!
Ausente deste teatro (in)cãostante, o actor principal: eis o regresso dele agora depois de um périplo cãotrariado por Portugal. O que ele queria mesmo era  ter viajado pelo cãotinente europeu.
Andou pelas festas populares do mês de Junho, quase, até ,que ia levado por uma rabanada de vento num balão de S. João; porém, foi salvo pelo CãoCrodilo -seu amigo fiel de todo o tipo de cãopadrio.
Tal como muitos portugueses rumou também a sul. Todos os anos lá ia ele, cãopiosamente para o Algarve. O intuito dele não era tanto o  de descãosar -ele queria tornar-se no novo Zezé Cãomarinha - versão quatro patas  e inglês de praia, calções apertados nos «ões» e caudinha a dar a dar!
Havia tanta cãomone na praia em biquíni, trajes menores e fazer chichi; algumas só em pêlo mesmo, que o cão até ficou com olhos em bico tipo chinês: apanhou, até mesmo uma cãojuntivite. mas à português.
Ele não sabia, como é evidente ladrar Inglês, cãofirmava-se um chorrilho de asneiras em Portinglês! Então, a escrever, era ainda pior -trocava cãosoantes por vogais, vogais por  cãosoantes, palavras homónimas, homógrafas, homófonas e parónimas - era tanto o mar de bacoradas, que até a maré enchia mais depressa cão tantas baboseiras nada cãoceituadas.
Ele escrevia  bilhetinhos e colava junto um cãotraceptivo e escrevia assim:
- Hello, my deer, my sweater, my name is Cão Vicente, I esperate you for a adventura. My number is..... my email enderess is...Plize, cow me! I am a biutiful and intelligent dog! Nice to mete you! You are the sunshine of my knife! You and I, you and me, tink death! E era assim também que ele falava para elas, tentando ladrar estrangeiro, mas não havia volta a dar -era pavoroso e incãopetente, incãosequente - nada havia a cãofutar -ele era uma verdadeira lástima; porém, gostava de se pavonear!
Muitas delas mandavam-no logo àquela parte - Shit, shit e mais shit. Algumas diziam alto e bom som; outras escreviam com resposta ao bilhetinho deste cãosternado animal canídeo -shit, que ele cãofundia com sheet e pensou que elas queriam uma folha para lhe poder responder; mas não, elas só o queriam mandar àquele resultado do processo digestivo que se refere às fezes expelidas por um organismo vivo, usualmente expulsas do corpo pelo ânus; já se estava mesmo a ver. Mandaram-no também «ir auto-fecundar-se, já que era filho daquela senhora que ocasionalmente realiza desejos extra-conjugais remunerados», estão a ver?!
Descãotente cão a sua vida nada cãociliante cão o tino e o respeito - ele decidiu partir , porém armado em importante e de peito feito! Ladrar Inglês, que ideia peregrina, parecia mais falar cãocanim (concanim -língua vulgar do território de Goa; língua falada no Concão): além do fraco nível da shakesperiana língua, faltava sempre o pilim!
Já tinha andado pelo S. João; foi atingido por um balão; foi para o Algarve e, levou de novo nas orelhas, pois então; por esses motivos e mais alguns e por ser um cãonana sem igual (ver conana que significa homem mulherengo; maricas) - resolveu infiltrar-se na Volta a Portugal!
Não sabia andar de bicicleta, não sabia nada, só queria protagonismo e enganar mais cadelas menos precavidas -armado em rei da cãoquista; mas mais parecia um canário à procura de alpista!
Foi uma autêntica rebaldaria: um cão a andar de bicicleta não passa despercebido: nem em Portugal, nem na  Cãochinchina, nem em local no mundo algum; nem mesmo na dita zona fina!
Queria ser cãomisola amarela, vencer etapas para poder beber espumante ao lado das belas meninas; todavia, quem iria dar crédito a um aldrabão que só queria fama e cãocubinas!
Lá ia ele no seu velocípede a querer ultrapassar, usar de meios pouco ortodoxos e trapacear para passar para a frente da corrida cão a mesma pressa que uma beata, quando se quer ir cãofessar! Ó que grandes cãoflitentes - falam tanto de vida alheia tal como o Cão Vicente mente cão todos  os dentes!
Gostava de passar a perna, o grandíssimo e cãoflituoso cão. Não sabia andar de velocípede e batia cão a bunda no chão! E, por todo o país, lá ia ele, tal imperador da infiltração, que era sempre corrido a pontapé que quase ia parar ao Cãozaquistão.
Incãoformado cão tamanha vida desdita, ainda tentou subir a Senhora da Graça; mas, não podia nem cão uma gata pelo rabo, quanto mais subir tanto sem fazer trapaça!
Estava incãosolado e fez um périplo pelas festas e romarias portuguesas; foi até à Senhora da Agonia com a sua velha tia! De facto, era mesmo uma agonia tal cão-  que só sabia cão(fluir) para a asneira tal como o ovo estrelado cãoflui para a frigideira!
Decidiu igualmente que iria passar pelo cãocelho de Ovar, não só pelo pão-de-ló; como também, para vir às festas para se fazer notar: ir a Esmoriz, Cortegaça e Furadouro - todo pimpão, de chapéu à cowboy tipo Zé Amaro, armado em touro, querendo fazer «Carreira» de cantor e juntamente cão o seu amigo CãoCrodilo a quererem passar por uma espécie de «Irmãos Leais» - só que neles, não acreditavam, nem os pardais.
Passou pela Senhora da Ajuda em Espinho...acabou o circuito festivo a cheirar a vinho!
Ainda resolveu fazer uns dias de praia antes de voltar à escola para ficar mais sapiente, porque era mais burro do que alguns cãocorrentes de um tal programa televisivo deprimente!
Depois de tantas desventuras e aventuras, cá se despede o Cão Vicente que voltará cão a mochila às costas para todo o leitor que o queira ler e ficar deprimente, desculpem, (des)cãotente!




sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Ainda o Desconcerto do Mundo


Já escrevia o  ditoso poeta, com pena,
Sobre o desconcerto do Mundo...
Tinha a consciência plena...da...
Humanidade afogada num poço profundo!


Mudam-se os tempos e as vontades
Até a confiança e o nosso ser...
Por que insiste o Homem em maldades?
Ai, artérias entupidas dum Coração a sofrer!


Eu, com olhos da cor do limão,
Nos campos das meninas do meu olhar
Vejo também a ignóbil e vil destruição
Ó,  Humanidade sem saber amar!

Alma minha, gentil, que não quer partir
Não, não, quero ficar descontente...
Talvez ainda possamos deleitosamente sorrir,
Por ainda haver, Humanidade de alma fulgente!

O Homem também pode, a cura ser;
Deste mundo ferido que dói, mas faz sentir,
Que apela ao fogo que arde sem se ver
O amor que desatina para nos fazer progredir!

Que o Amor não morra como Dinamene,
Que cante o peito ilustre da Felicidade
Para que não seja sentimento perene
Neste desconcerto que...
Procura a Ilha dos Amores em tom solene!

Versos inspirados em Camões e alguns dos seus versos
O Desconcerto do Mundo continua actual, mas o remédio continua a ser o mesmo, o Amor na esfera de um infinito sem igual!









terça-feira, 4 de agosto de 2015

A Princesa Grão de Arroz



Não vamos começar esta história por: «era um vez» - é uma seca a valer e, esta vai ser uma história fixe, podem crer! 

Esta será uma história moderna com algumas influências do passado; mas, certamente irão passar aqui neste Reino da Imaginação -um bom bocado!

A Princesa Grão de Arroz não era uma princesa  dita normal; todavia, ela era bem especial.

Vivia no longínquo Reino das Lezírias Encantadas, a seguir à localidade das Ervas Douradas! 
Aquele reino encantado estava cheio de arrozais -as lezírias, que em vez de milho, o primeiro grão de arroz era sempre para os pardais.

Era lindo aquele reino encantado de arrozais e de míriades de flores: local ideal para viver grandes amores -  local romântico, belo e de muitas cores variadas, com lagos e rios e chilreadas musicadas!

Na terra da Princesa, apesar de alguns problemas, como é natural -vivia-se em clima de harmonia, até que um dia... as coisas mudaram e a maldade atroz instalou-se nesta terra outrora de alegria.

Aquela era a cidade da democracia - era um reino, mas era o povo que  o novo rei ou rainha, escolhia. 

Só que um dia, como acontecia tantas vezes em outros reinos, o povo votou mal, porque confiou num aldrabão e corrupto sem igual!
História que, com certeza vos parece familiar; porém, para a conhecer melhor vou ter de vos contar.

Corruptus Horribilis era um homem bem falante, que parecia de confiança; todavia, era um homem não de confiança, mas ao invés era cheio de manha e de exuberância.

Usava a política para se promover, encher-se à custa do povo, fazendo-o sofrer.

A Princesa Grão de Arroz, que se chamava assim por ser baixinha; estava agora ainda mais pequenina. Como a princesa e a família eram pessoas influentes e queridas naquela cidade - o terrível homem chamou um bruxo seu amigo que lançou um feitiço para toda a eternidade!

Ela ficou condenada a ser do tamanho de um grão-de-arroz   - mais pequena do que o Pequeno Polegar; bem mais do que possam imaginar!

O seu pai, o Rei Arroz Carolino e a sua mãe Arroz Agulha, por ser muito delgadinha, foram condenados a ficar também em grão, mas dentro de uma saquinha.

Teria de haver uma solução para reverter o feitiço e quebrar o enguiço.

Enquanto isso, quem poderia realmente fazer algo mais pela cidade tinha sido vítima do Corruptus Horribilis -ser grotesco, até mesmo dantesco! Até os habitantes do Reino das Lezírias Encantadas poderiam alguma coisa fazer; era tal o adormecimento, o medo de lutar, que até parecia que esse ser horrendo os estava a hipnotizar. E, talvez, fosse mesmo uma hipótese a explorar!

O povo sem voz, cansado, que não ousava lutar - precisavam de um líder para os poder guiar.

A Princesa Grão de Arroz lá bem do alto da sua pequeníssima estatura -  era a única capaz de levar a cabo tamanha envergadura.

Porém...primeiro teria de descobrir, a maneira de quebrar o feitiço e descobrir o seu elixir. Não, para ela, não poderia haver eternidade e, por isso, procurou o Anjo da Bondade.

Então, o Anjo da Bondade, disse:
- Cara Princesa, a bondade e o amor são a resposta procurada, mas olha que é preciso que lideres o teu povo, que tanto sofre com tanta maldade comprovada. Não te esqueças que todos devem lutar; caso contrário, o feitiço não se desfaz - é isso, que é preciso ser feito, mas a humanidade é tão fugaz!...
 - Obrigada, amigo Anjo, assim irei fazer -respondeu a Princesa. 

E, assim, partiu a princesa confiante, esperançosa e destemida, destinada a ser líder de um povo de vida sofrida.

Com a sua inteligência e esperteza arquitectou um plano com o princípe e a princesa da terra vizinham que também quiseram ajudar...Não gostavam de ver um povo triste e a definhar! 

Decidiram, assim, que o melhor modo de derrotar o vilão seria com inteligência: fazê-lo provar do próprio veneno e, deste modo, apanhá-lo nas suas mentiras e crimes em pleno!

Todos sabiam também como era vaidoso e gabarolas - conceberam um plano em que ele pensava que iria ter o poder; só que era apenas uma armadilha para o pôr a correr. Ele acabava sempre por adulterar o resultado das eleições - por isso, ganhava sempre nem que fosse a feijões!

Todavia...os seus dias de «reinado» estavam a chegar ao fim; iria ser julgado e devolver a todos o roubado pilim.

Castigado, preso e envergonhado - o horrível homem teve o justo fado!

Os feitiços quebraram-se: o povo voltou a eleger o seu candidato democraticamente; ou melhor, candidadata, porque quem ganhou foi a Princesa Grão de Arroz, naturalmente. O seu pai e a sua mãe ajudavam-na também; mas, quem governava com ela era a princesa da terra mesmo a seguir...a Princesa do Belo Sorrir.

O seu irmão o Princípe Contente também acabou por o Reino das Lezírias, adoptar e conheceu um belo rapaz com o qual se quis casar.

A Princesa Grão de Arroz, bela, mas não tão pequenina, casou com a Princesa do Belo Sorrir - sorridente e com ar de menina.

Viveram felizes até o seu amor durar e esperemos que seja para sempre, para o poderem perpetuar!

E, assim, termina esta história moderna e pensada também no presente; porque o que interessa é o Amor, lutar pelo que se acredita, não cruzar braços e também não marginalizar quem é diferente.

Cada um é feliz à sua maneira, esta é uma grande lição; outra é que todos erramos, mas juntos podemos lutar contra a corrupção!



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sábado, 1 de agosto de 2015

O potencial turístico de Esmoriz -O valor de um diamante ainda pouco esculpido

O sector do turismo continua a crescer em Portugal, somámos prémios, atrás de prémios; claro que nada é perfeito e nos falta colmatar algumas falhas, reinvestir em novos produtos e serviços, identificar novos mercados, apostar em mais promoção e descobrir os diamantes turísticos ainda em bruto, ou quase em estado bruto. É nestes diamantes quase em bruto, que podemos colocar Esmoriz.
Esmoriz, é assim, um diamante valioso que ainda não foi suficientemente esculpido. Ainda vamos a tempo; penso que já vê soprar ventos de mudança. Vivemos num país que recebe os visitantes de braços abertos: Esmoriz, não é excepção.

Todos sabemos qual é o nosso principal ex-libris e vou começar pela Barrinha de Esmoriz e, espero que seja desta, que o problema seja sanado. Contudo, não convém esquecer que o problema também está a jusante: as indústrias não podem continuar a poluir e os resíduos virem parar ao nosso rio e, consequentemente à Barrinha. Espero que essas indústrias respeitem também a parte que lhes compete. Afinal, a Barrinha, constitui um património riquíssimo.

À parte dessas questões, a Barrinha de Esmoriz, é mais um dos nossos diamantes em bruto. A beleza ainda lá está, nesta majestosa rainha envergonhada, sem coroa, que perdeu a beleza de outros tempos, mas que ainda encerra mesmo assim beleza e uma variedade de fauna e de flora imensas e, claro faz parte da Rede Natura 2000.

Eu sou ainda jovem, sou filha da geração de 80, nascida mesmo em 1980 e guardo alguma mágoa, confesso, porque não vi, não me recordo da Barrinha de outros tempos: falam da beleza, dos barcos que lá havia, dos veraneantes que nos vinham visitar também por causa dela. Eu não vi nada disso; outros jovens como eu ou mais jovens, também não. Temos mesmo de devolver a coroa a esta rainha: é esse o nosso dever e sobretudo o dever do poder político, que, parece que, desbloqueou o problema e, fala-se finalmente na sua reabilitação. Todos os esmorizenses, certamente, esperam que sim, pois já ouvem promessas há anos; mas vamos acreditar que sim; afinal, a esperança, dizem é a última a morrer!

Deixemos a nossa rainha e passemos às nossas princesas: as praias. Temos bonitas praias, com bastante qualidade, praias com bandeira azul. A Praia da Barrinha estende-se com o seu extenso e branco areal. A Praia do Cantinho, é mesmo um cantinho de emoções, pequena, mas onde muita gente gosta de se banhar. A Praia Velha ou dos Pescadores, lá continua meia selvagem e bela piscando o olho a Cortegaça.
Temos a mata, temos agora o Parque do Buçaquinho que dividimos também com Cortegaça: um parque único, cheio de dinamismo e biodiversidade. Um local a conhecer por todos.
Esmoriz é uma cidade muito bem servida, tal como todo o concelho de pistas para ciclistas. Também penso ser um campo a explorar mais ainda.

Temos o dinamismo e o saber receber da população, um hotel que está bem apetrechado, temos também as guest-houses, hostels mais ligados ao surf. Temos por isso, também um mar de excelência para o surf e o body-board e outros desportos marítimos. Até já Mc Namara se rendeu aos nossos encantos e veio cá baptizar o seu filho Barrel. Não, não foi só a Nazaré; foi também Esmoriz.
Na minha opinião, o turismo deve assentar nos dias que correm numa base de sustentabilidade; pois, tudo tem o verso e o reverso: o turismo tem muitas coisas de bom, mas há também que precaver, preservar a natureza ao máximo, porque também traz outros impactos menos positivos. No entanto, é ele que nos pode fazer ser mais conhecidos e, as pessoas, certamente gostarão e voltarão; além de ser uma fonte de receita para a nossa terra.

Com a ajuda de todos nós, do poder político, seja da Junta de Freguesia, da Câmara Municipal e do próprio Governo e dos apoios que se dão ao turismo, podemos ir mais longe; pelo menos, é assim que penso. Já há melhorias; mas, penso que deve haver mais divulgação e melhorar podemos sempre: e temos tudo para ser vencedores também no campo turístico.
Todo o nosso concelho tem potencial, mas é de Esmoriz que estamos a falar e temos um potencial enorme que precisa apenas de ser mais explorado.
Esmoriz não tem um produto gastronómico típico, há as caldeiradas, mas não se pode dizer que tenham nascido mesmo cá. Se calhar deveríamos criar um produto gastronómico ligado ao mar ou até também um ligado à doçaria. De certeza, que encontraríamos pessoas cá criativas e com talento para criar esses produtos.

Também temos artesãos, que fazem não só os barris, tão característicos da arte de tanoaria. Sim, Esmoriz, terra ligada à tanoaria; pode não ser como em tempos idos; não obstante, esta, estará sempre ligada a esta cidade e a tanoaria também seria importante para o turismo, também como núcleo museológico aberto ao público.

Temos também tantos artesão e deveríamos ter também artesanato certificado. Um produto certificado, que os turistas pudessem associar a Esmoriz, mas devidamente identificado, catalogado, para que os turistas possam procurar por produtos ou por um produto típico de Esmoriz e poder comprar aos nossos comerciantes. Podemos até pensar logo nos barris, mas, se assim é, deveriam estar referenciados e deveriam ser vendidos um pouco por todo o lado. Com isto, não quero dizer que não possa haver outros produtos ligados por exemplo, à arte xávega ou outros; afinal, a cidade está cheia de grandes talentos.

Penso que também seja importante haver mais informação turística sobre a nossa cidade, quer via papel, como panfletos, desdobráveis, quer também via digital. O site de Esmoriz deveria ser melhorado e acrescentada lá mais informação turística. Deveria até existir uma base de dados com empresas e todo o tipo de comércio, todo o tipo de informação útil, incluindo restauração, onde seria dada a informação do que poderiam comer, onde, preços... Se as pessoas quisessem, peixe fresco, seria dada a informação para ir a este ou àquele restaurante.

Já vemos mais dinamismo e melhorias: foi bom ver o Arraial da Barrinha, que trouxe gentes de fora também cá. Foi mesmo uma festa de excelência a vários níveis e trouxe artistas de grande qualidade, incluindo os GNR. Tivemos antes a festa do Senhor dos Febres, a festa de S.João. No plano cultural também penso que se têm feito várias coisas interessantes e em Agosto virão as festas: Senhor dos Aflitos e Senhor da Boa Viagem.

Também podemos explorar mais o património arquitectónico: não é o nosso património mais valioso, sem dúvida, é mais a Natureza; mas a nossa Igreja Matriz é bonita, a Capela da Penha é um pequeno tesouro, o Palacete dos Castanheiros, onde está situada a Biblioteca e a Universidade Sénior.
Esmoriz é também uma terra de poetas e por onde passou também uma poetisa ilustre: Florbela Espanca: é hora de a devolver a Esmoriz...não nasceu cá, nasceu em Vila Viçosa mas morou cá 2 anos da sua vida: há que tentar fazer algo pela casa onde ela morou no lugar da Casela: essa casa deveria ser um núcleo museológico; seria a melhor maneira de homenagear tão ilustre senhora que tivemos a morar cá e, além disso, turismo, pode ser também no âmbito cultural. E ela é mais uma rainha a quem devemos devolver a coroa.

E, tornando a mencionar rainhas, a maior rainha de todas nem é a Barrinha de Esmoriz, nem mesmo, a majestosa poetisa que nos «adoptou» 2 anos; mas sim, a cidade Esmoriz num todo. O turismo poder ser o diamante mais brilhante na coroa da nossa rainha: ajudemos todas a lapidá-lo mais ainda! A rainha merece!


Ana Amélia Ferreira Roxo - Licenciada em Estudos Portugueses e Alemães, Escritora e Técnica de Turismo Rural e Ambiental.
Texto Escrito segundo o antigo Acordo Ortográfico


domingo, 19 de julho de 2015

As andorinhas

Soneto


Voltam na Primavera,
Arrendam o beiral,
Constroem os seus ninhos
Em todo o Portugal!

Negras e alvas donzelas,
Com corpos de aurora,
Flores com asas, singelas,
Cuja esperança não demora!

Mensageiras celestiais...
Com  barulhento e divertido piar...
Aves que transportam o verbo amar!

Aves cândidas, da beleza pura...
Sois o símbolo das estações floridas...
Benquistas aves,nunca esquecidas!


http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/andorinha/


sábado, 27 de junho de 2015

As Tradições - O verso e o reverso

         A Queima do Gato, ou melhor da gata em Mourão, acendeu um rastilho que, rapidamente, se tornou viral na internet e fora dela. Em Portugal, já há legislação e, atentar contra a vida dos animais de companhia já é crime. No entanto, esta dita tradição já dura há décadas e nunca soubemos de nada. Não obstante tudo isto,a questão que se coloca é a seguinte: «Valerá tudo para manter as tradições vivas?»
       Em Mourão, a população está tão enredada na sua dita tradição  - que não são capazes sequer de ver que o acto praticado não é mais do que uma selvajaria, uma cobardia e mais do que tudo isso, é crime.
        Por acaso, essas pessoas também gostariam que as colocassem num poste e acendessem fogo no rabo lá por baixo? Com certeza que não. Caros senhores, não se trata de manter tradições; mas sim, de manter  uma barbárie contra um ser vivo. Se querem queimar alguma coisa, queimem um objecto e não um ser vivo. A gata não morreu, mas sofreu e depois ainda dizem que a gata está bem e que é a mesma desde há quatro anos...
       Pergunto eu, como pode estar o animal bem se foi queimado?  - Por acaso, senhora, dona da gata, se a senhora se queimar no seu fogão a cozinhar, nem que seja um bocadinho, não lhe dói?  - Então, não venha dizer às pessoas que a gata está bem.
     Deve-se acabar com as tradições? Claro que não; deve-se acabar sim, com aquelas que são um atentado à vida de um ser vivo. Não podemos conservar tradições, em que não haja respeito por qualquer ser vivo, por tradições bacocas e sem sentido que só servem para alimentar idiotices em nome de uma suposta tradição de  uma população, que não entende que esses costumes são bárbaros, atrasados e não as dignificam em nada, nem às suas terras.
      Não vou agora dizer que as pessoas de Mourão são más, ou que são todas más; todavia costumes destes são costumes de gente atrasada, pouco evoluída, resistente à mudança, que continua a achar que vale tudo em nome da tradição.
      Caras senhoras e caros senhores dessa aldeia, o mundo tem de evoluir...já repararam em que século estamos, por que carga de água insistem em costumes da Idade Média?! Por prazer, por tradição? Tenham mas é juízo e arranjem um objecto para queimar e deixem os gatos estarem em paz. E, à senhora que deu a gata a imolar, tome juízo e pode muito bem ser condenada, Maltratar animais já é crime... É hediondo. Não é de quem ama e gosta de animais
   Parece que agora, também se descobriu que numa aldeia, numa festa também se divertem a matar um galo e a o enterrarem no final. O enterro do galo é feito em Ruivós, Sabugal. A diversão é enterrar o animal, mas antes acertar-lhe na cabeça com uma enxada e matar o galináceo  à paulada...
    Touradas, outro costume/tradição do arco da velha, outra «cena» altamente arcaica...
    Não confundamos tradições com costumes estúpidos, ignorantes... Se Portugal, se diz um país evoluído, estas coisas, não deveriam acontecer...
    Tão mau ou pior do que tudo isto e, inclusivamente queimar gatos é pessoas de mente queimada, chamuscada, que querem continuar a viver na ignorância...que vivam, mas respeitem os outros seres vivos.
    A humanidade ainda tem muito que evoluir. E, no que concerne a estes casos, parece que Einstein tinha razão: «A tradição é a personalidade dos imbecis.»